3.650 hectares de mosaico ecológico costeiro.
Entre os rios e a orla atlântica, no município de Entre Rios, no litoral norte da Bahia, estende-se um território contínuo de proporções pouco comuns. A escala é parte do seu valor — mas é o detalhe que o torna insubstituível.
Onde estamos.
O território da Entre Rios situa-se na Costa dos Coqueiros, no litoral norte da Bahia, integrado no município de Entre Rios e abrangendo os distritos de Subaúma e Massarandupió. É servido pelo eixo viário da Linha Verde (BA-099) e está geograficamente próximo de polos turísticos e logísticos consolidados:
- Aeroporto Internacional de Salvador — cerca de 80 km a sul
- Cidade de Salvador — cerca de 80 km a sul
- Praia do Forte — cerca de 41 km a sul
- Sede municipal de Entre Rios — acesso pela BA-099 e ramais locais
A combinação entre escala territorial e proximidade a infraestruturas regionais consolidadas é rara no litoral nordestino brasileiro. A maior parte das áreas costeiras com características ambientais semelhantes encontra-se fragmentada em centenas de pequenos proprietários, sem capacidade de planeamento integrado. A Entre Rios é, neste sentido, uma exceção significativa — uma única unidade contínua, sob gestão coerente.
Um mosaico ecológico costeiro raro.
O território integra um conjunto de ecossistemas que, em conjunto, configuram um dos mosaicos mais ricos do bioma costeiro brasileiro.
Restinga arbórea e arbustiva. Predominam formações vegetais de restinga em diferentes estágios sucessionais — da vegetação pioneira de praia, passando por restingas arbustivas em solos arenosos profundos, até manchas de restinga arbórea madura, com porte florestal significativo.
Floresta ombrófila e remanescentes de mata atlântica. Em áreas mais interiores e em zonas de transição, ocorrem manchas de floresta ombrófila, integradas no domínio fitogeográfico da mata atlântica costeira — bioma classificado como de prioridade máxima para conservação no Brasil.
Zonas úmidas e manguezais. Onde os cursos de água se aproximam da orla, formam-se sistemas estuarinos com mangues bem preservados — habitat crítico para invertebrados, peixes juvenis e avifauna aquática.
Sistemas de dunas e espelhos de água interiores. Cordões dunares ativos e estabilizados acompanham parte da orla; em terrenos baixos atrás das dunas, ocorrem lagoas e espelhos de água doce, com flora e fauna associadas.
Nascentes e cursos de água. O território é cortado por uma rede de pequenos cursos de água e contém nascentes que alimentam ecossistemas a jusante. A proteção destas zonas é uma prioridade estrutural da gestão.
APA do Litoral Norte.
A totalidade do território está incluída na Área de Proteção Ambiental do Litoral Norte da Bahia, criada pelo Decreto Estadual nº 1.046/1992 — uma unidade de conservação de uso sustentável que abrange a faixa costeira entre Mata de São João e Conde.
O enquadramento APA estabelece um regime de gestão integrada: permite atividades humanas, mas sujeita qualquer intervenção significativa a processos formais de licenciamento ambiental, com Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) quando aplicável. A APA é gerida pelo INEMA — Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia, com articulação com o ICMBio e com os municípios envolvidos.
Adicionalmente, o território contém ou é adjacente a áreas com classificações específicas:
- Áreas de Preservação Permanente (APPs) ao longo de cursos de água, nascentes, manguezais e topos de duna, nos termos do Código Florestal Brasileiro
- Áreas com vegetação nativa em estágio médio e avançado de regeneração, com proteção reforçada pela Lei da Mata Atlântica
- Faixa de marinha e terrenos contíguos, sujeitos à legislação federal aplicável
A gestão do território é planeada em conformidade com estes regimes — e o desenvolvimento, quando ocorrer, processa-se exclusivamente nas áreas em que tal é técnica e legalmente possível.
Lugares com significado.
Sem entrarmos no detalhe cartográfico — preservado por razões de proteção do território — registamos publicamente alguns pontos com significado ambiental, cultural ou paisagístico:
Praia de Massarandupió. Faixa de orla integrada no território, oficialmente reconhecida por portaria municipal entre as praias do Brasil destinadas à prática do naturismo. Esta classificação é registada aqui apenas a título factual; a gestão da Entre Rios é compatível com o respeito por todos os usos legítimos e tradicionais do território.
Sistemas estuarinos. Foz e troços terminais de pequenos cursos de água, com manguezais bem preservados — zonas críticas para a reprodução de peixes, crustáceos e moluscos com importância para a pesca artesanal local.
Sistemas dunares. Cordões de dunas costeiras com geomorfologia ativa, em parte vegetadas e em parte móveis, com elevado valor paisagístico e funcional na proteção da costa.
Núcleos de restinga arbórea madura. Manchas de vegetação climácica de restinga com porte florestal, raras na faixa costeira nordestina, com particular valor para a conservação da biodiversidade.
A escala é parte do valor — mas é o detalhe que protege.
Cuidar de um território como este implica reconhecer simultaneamente a sua extensão excecional e a fragilidade pontual de cada um dos seus ecossistemas. A escala torna possível um planeamento integrado; o detalhe exige humildade técnica, estudo continuado e decisões prudentes.
É esse equilíbrio que orienta a gestão da Entre Rios. Conheça os princípios da nossa custódia →